segunda-feira, 20 de abril de 2009

Cimento, Sedimento.



Eis que encontrei meus desertos.


Encontrar-se, é submeter-se a uma maré dos proprios sedimentos.

areia, areia, areia.

Eis que dupliquei meus desertos.

nutridos de mim.

terça-feira, 14 de abril de 2009

'o vazio não é vácuo...'

http://andrewsidea.files.wordpress.com/2009/02/gummo1.jpg



Gummo.
"Life is great. Without it, you'd be dead."

http://www.youtube.com/watch?v=QJRGFoJN8k0

Xênia, Ohio

http://www.idreamof.com/disaster/xenia/images/xenia_tornado.jpg


Se está seco é porque um dia chegou a transbordar, na rua não há nada, senão o nada

Construir casulos;minha vida não depende de mim, nem a nossa depende de nós, andam por aí nos mastigando, uma espécie de orgia espiritual, um fragmentar da alma em mil pedaços, para ser digerida pelos cocos, pelas beiradas tangentes...
cada um com seu brilho difuso, nunca completo, nunca brilhante em demasia, cheios de vazios preenchidos de ausência...até minhas verdades, minhas palavras ao meio juntapostas, nunca conseguirão ser plenas... nem os pedaços de lágrimas em completo serão sinceros... é o acoplar, o juntar de tudo em nós. O ser e o nada em uma igualdade crua, Satre em seu bem dizer.

Eis minha verdade absoluta: todo ser humano é vazio.

Vazio santo...
E o que seria de nós se o homem fosse pleno?
se os átomos em teorias arcaicas fossem mesmo tão juntos, sem nenhum vão, em vão.
E o paradoxo-alicerçe alimenta, o vazio nutre a alma porque o vazio não é vácuo...
o vazio é limpar-se, encaixar-se, em si... como um fruto oco, porém não menos saboroso, este deve se postar triste por ser empanturrado de coisas moribundas...

O vazio é também depósito de tristezas.




As cidades,ah... 'aglomerada solidão' tão vazias...
Lembar de expremer e beber meu suco todos os dias, sou densa, meus vazios florescem.

terça-feira, 24 de março de 2009

Devaneio gramatical.

Siriguela deveria ser nome de marisco.

Purpurina.

Nua, caminhava como se nenhum pano fosse capaz de cobri-la, seus poros falavam. Era do tipo de mulher intensa, sem cobertores, ou aperitivos sexuais para modelar a face, caminhava invisível entre as mulheres "brilhante"s que brilhavam somente porque entre os peitos murchos, de existência medíocre, estava contido brilhos e purpurinas; matéria bruta degradada
Ser invisível é ser sucetível aos pisões, uns pisões que arrancam a carne, e expõem a derme aos ardores humanos. Os invisíveis amam,amam porque não há nada deles há não ser amor. As brilhantes dizem amar, e levam consigo as mortalhas.

Ah, como é triste carrega-las no peito.

Em mim só há reflexo de alma, entre os nuances pálidos transparentes do meu rosto, tranpiram o existir dela em mim, sou quase invisvível em totalidade, o esbranquiçado que resta, foi corrompido. Tenho futilidades externas, que pesam no meu penar.
Levo no meu peito, vários nuances, vomitos sinceros que não pesam, apenas nutrem meus laços desnutridos. Ele, nuance vital do meu peito mediano, absorvia a beleza das tais mulheres 'brilhantes'...e durante muito tempo tentei considerar uma não-verdade. mas estavam ali todas as palavras ditas e repetidas, e meu asco aumentando a cada silaba dita. Como poderia admirar-se perante tanta face coberta, tanta carne indigesta?

A alma não é lama.

Aqui jaz meu ego trucidado.

Fragmento de pensamento.




O tempo é ilusório...




...inrrisório.

domingo, 8 de março de 2009

Flúor.


Era calada, somente porque temia.

É o temor que enrijece a densidade de alma, comprime... porta a preocupação absurda de enlatar a existência, em tamanhos compactos, portáveis.Acaba cortando as beiradas compostas, e levando o recheio seco. Eu, portadora de gigantes plasmólises, de citoplasma murcho como célula vegetal chorosa, sou muito de mim nos dentes.
Já os olhos estão afogados, não resistiram as tempestades contínuas, mas compreendem uma sinceridade virgem, inégavel aos temores. Os afogados olhos que possuo, me são por completo, uma cópia inégavel do que sou túrgida, até aos detalhes mais tolos(covenhamos, todos os detalhes são tolos).
A essência é o compacto da alma, fiquei pensando por séculos,que deveria esperar algum tipo de temor sólido parar comprimir por osmose minhas partes de recheio e jogar fora as beiradas, mas os temores me foram muito solidários perante aos olhos, sabiam que ali me precisava sem cortes, sem vírgulas. A constatação que faço é que sou três em um corpo só.
Os dentes não foram poupados,arrancaram dele a transparência(deve ser por isso que são tão amarelos) expressam minha essência, sem beiradas, em apenas recheios, como se fosse jogado a metade, sem inícios ou fins.Eis o sorriso o meu maior mistério, tão grande que é o maior mistério físico que posso comportar.Sou toda nua e minha boca a interrogação vital.

Se existimos em dualidade, expressamos uma quantidade proporcional de infertilidade aos próprios solos, ser totalmente exposta em entranhas, é renegar os individualismos, preciso cobrir-me, tenho minhas cortinas alojadas. Minha boca digere minhas beiradas, em dentes tão mudos. Sou nua mas lacrada, uma parte minha foi lacrada a mim...
Assuto-me como o conhecimento e a totalidade são grandezas inversamente proporcionais.

Lapso de pensamento



Prefiro dentes aos olhos.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009


Exisitia um moço, o moço existia
Morreu.

Afogado em afagos.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Hello Stranger



Prefiro os estranhos. É de conforto gigante em saber que estás completamente lacrada dentro de si, que ninguem lhe pertuba e nem irá. Gosto dessa sensação estranha de ser comida pelas beiradas, como um prato quente, que arde, arde, arde... ARDOR.
Sou como repelente, entre as minhas principais características só sei repelir...
e como me sinto triste nesse fardo de ser repelente aos demais insetos próximos.Não tenho cheiro, jorra do meu sangue até a pele. Assasino os carinhos, e guardo as mortalhas.

Os estranhos porém só beliscam o meu exterior, devoram a carne, os pedaços vomitados do que sou...colam minhas partes e constroem meus desenhos, mais bonitos, mais vívidos, menos repugnantes.Ah se todos os estranhos que me rondam soubessem, o tamanho do carinho que guardo em mim.

Sou mulher transparente,coberta de vazios, nesse curto espaço do que não existe, sinto-me só.
afetos se vierem, por favor, vão logo, minhas raízes não se fixam em solo algum.
e se um dia houver amor, que fique.


cansei de joga-los aos montes nos baldes das mortalhas...
de estrelas que brilham, ao menos levo uma cheia de arestas no meu peito cansado de regurgitar.


"Alice: É o único jeito de deixar "Não te amo mais, tchau!"
Dan: E se você ainda ama a pessoa?
Alice: Você não deixa!
Dan: Você nunca deixou alguém que amasse?
Alice: Não."


Closer.



'Sou uma mulher de tristes palavras.De que era que tinha tanta...






tanta culpa'

domingo, 15 de fevereiro de 2009


"Na minha memória - tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos"

Caio F.

Com toda a licença Caio F, preciso tirar "coração" dessa sentença.
o amor para quem eu escrevo transcede o carnal, a veia, o palpável...
Com toda a ousadia, reescrevo...

Na minha memória - tão congestionada - e na minha alma - tão cheia de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonitos

Vômito. (2)


Meu peito porta mil e tantos cavalos calados, eis que se postam correndo, fazendo jorrar.
Um sorriso que aquece, que completa, um peito (como o meu) dilatado com espaço pra tantos amores espirituais, cheios em si por essência.
Meu peito seco, durante tantas épocas tão vazio... sente-se tão alegre, com os dentes tão expostos..por conseguir(teu) afago. São os átrios que respondem,em uma ponte sanguinea, forte em si, que leva, e rega, as mil flores que me faz brotar, ou que faz arder, secar.
A solidão , que leva por mim um amor maternal, está colada ao meu muco como uma segunda pele... grossa e espessa...

...mas você rompe, corrompe, penetra na minha solidão, mudo.
Em amor que transborda por entre peles, suor e sexo.
me confunde em que corpo agora existo.

Do catarro à saliva.

Pleno corpo, plena alma, em plenas mãos.

Em suma: sou vomito multicolorido, reviro as estranhas.
O amor em matéria bruta.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

tum tum tum tum


"Já lhe dei meu corpo
Minha alegria
Já estanquei meu sangue
Quando fervia
Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta
Pro desfecho da festa
Por favor...

Deixe em paz meu coração
Que ele é um pote até aqui de mágoa..."

Buarque,Chico.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Para digerir





http://br.youtube.com/watch?v=0POJpWSk2g0&feature=PlayList&p=7960845CC9817345&playnext=1&index=40

Moça indigesta.





Seus pedaços não cabiam no estômago pequeno que contrastava com os contornos do seu corpo, farto. Devia ser do tipo de mulher, que se usavam vários talheres... e se enchia logo com as bordas esquecendo-se do miolo (a melhor parte do recheio, certamente)
O restaurante era agitado, e lá estava ela, em uma mesa distante... com olhos mansos, fundos, nesse misto de intensidade que até hoje não consigo reproduzir. Me enchia os olhos...,as mãos, os pés, estava tão farto de olhá-la que perdi o apetite, me senti preechido, paralisado.
A moça concentrada no mundo prosseguia, progredia rapidamente como um câncer, câncer doce, benigno.Nós, telespectadores silenciosos do olhar mudo, continuávamos...observando de soslaio o brilho que um pouco nos cegava, uma cegueira cheia de antíteses, pois nos dispertava uma visão de um mundo desconhecido. Um mundo intenso! (meudeus, como intensidade assusta!)
Estava sentada na frente de um moço que demorei a notar, ele em contrapartida não parecia enxerga-la, olhava com delicadeza as moças ao redor, cheio de carinho e sexo transbordando, imaginei que nada tinham senão mera ligação profissional
Ela não parecia sufocada.

Fiquei a observando, na minha solidão do meio dia, até que ela susurrou umas palavras ao moço a sua frente....

" Não consigo digerir-me"
" Comida pesada inplica em digestão difícil"
mal observara que seu prato era essencialmente vegetal
"É, devo estar pesada por dentro"
" Que nada, você está ótima"
"Humm"


Soltei um riso abafado e dediquei-me a minha feijoada.
Pobre moça... vai morrer sem que ninguém consiga digeri-la,pensei
Pobre de mim, que anos depois fui descobrir que tinha o estômago dilatado.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Josef K.

O cão é nu



Queria engolir o mundo.
Era um misto de ousadia e sensibilidade animal...
tinha tudo e nada tinha,além dos dentes e do muco quente, amável...
Guardava-se a sombra, da areia quente, quieto.
como se de alguma forma conseguisse interromper o giro do mundo, esperando ele rodar, sem manifestar movimento algum...

Eu, muda em minha rede sólida, beirando a areia, solitária e triste engolida por mim, banhada de cores cinzas, beges, em nuances quietos.
Olhava, com olhos transbordando como em enchentes do mar...o cachorro me amava, amava ao solo, amava a si.
envolvia minhas entranhas com um olhar que escondia nos olhos lacrados de sono, suponho.
Mas no dia que acordou, esqueceu que existia vida.


e vivia!



Lispector, venha cá, convenhamos...
não apenas o cavalo é nu.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

'Momento VIII'















"O corpo existe e pode ser pego.












É suficientemente opaco para que se possa vê-lo.
Se ficar olhando anos você pode ver crescer o cabelo.

O corpo existe porque foi feito.
Por isso tem um buraco no meio.
O corpo existe, dado que exala cheiro.
E em cada extremidade existe um dedo.
O corpo se cortado espirra um líquido vermelho.
O corpo tem alguém como recheio. "

Antunes.


domingo, 28 de dezembro de 2008

Hiroshima


...São lembranças falhas, cheias de raízes. Sou como uma árvore velha, desgastada, coberta de cicatrizes fundas, como se arranhasse meu peito e o esmagasse de forma indolor. Tenho insensibilidade humana e calor vegetal...